Nabuco Diplomata


Vã fronteira

Em 1899, Nabuco foi encarregado de defender o Brasil em conflito territorial com o Reino Unido sobre a Guiana Inglesa

A carta enviada ao barão do Rio Branco, então ministro das Relações Exteriores, Nabuco trata de um dos muitos conflitos territoriais nos quais o governo brasileiro esteve envolvido no início da República Velha (1899-1930).
Conhecida como a "Questão do Pirara", a disputa entre o Brasil e a Inglaterra pela posse da região do mesmo nome (uma área de 33.200 km, situada na fronteira onde estão atualmente a Guiana e o Estado de Roraima) remonta ao século 17, durante a ocupação da Guiana Inglesa pelos holandeses e depois pelos ingleses, que invadiram áreas que pertenciam ao Brasil.
Acentuou-se em 1841, quando uma expedição militar inglesa chefiada por Robert Schomburgk demarcou novos limites na fronteira da Guiana sem a anuência do governo brasileiro.
Em 1899, é encarregado da missão de defender os interesses brasileiros na disputa. O resultado, desfavorável ao Brasil, só saiu em 1904. Responsável pela decisão, o rei da Itália, Victor Emanuel 3º, deu à Inglaterra 3/5 do território do Pirara.
Na parte concedida ao Brasil está localizada a reserva indígena Raposa/Serra do Sol, cuja demarcação foi confirmada em março de 2009 pelo Supremo Tribunal Federal.
No Brasil, a partilha foi vista como uma derrota e desigual a sentença que o "rei proferiu contra nós", disse Nabuco.

Guiana Inglesa

[...] Em 1899 aceitou convite do governo republicano para defender a causa do Brasil na disputa com a Inglaterra pelos limites da Guiana Inglesa [abaixo trecho de carta de Nabuco ao Barão do Rio Branco sobre a questão]. Perdida a causa, o barão do Rio Branco o nomeou primeiro embaixador brasileiro em Washington, cargo em que morreu em 1910. Dessa fase, não restaram escritos de maior relevância. "O Abolicionismo", "Um Estadista do Império" e "Minha Formação", no entanto, escritos em tempos de amargura, formam uma trilogia de clássicos. O primeiro aparece em qualquer lista de dez livros mais importantes na área que se convencionou chamar de interpretações do Brasil.
O segundo entra fácil na lista das cinco melhores biografias. O terceiro faz o mesmo na das cinco melhores autobiografias. Autor de três clássicos, é talvez caso único no Brasil. Gilberto Freyre pode emplacar dois, "Casa-Grande e Senzala" e "Sobrados e Mocambos", mas não "Ordem e Progresso".


Trecho do artigo Quincas, o belo  do  Acadêmico José Murilo de Carvalho, publicado no Caderno Mais da Folha de S.Paulo, em 17 jan. 2010.


Trecho de carta do diplomata Joaquim Nabuco sobre o litígio com a Guiana

Ao Ministério das Relações Exteriores.
Reservado.
Roma, 15 de Junho de 1904.
Sr. Ministro,

"[...] Eu me tinha preparado para diversas soluções desse gênero, mas nenhuma envolvendo a margem povoada de Tacutu [rio localizado na fronteira entre o Brasil e a Guiana]. A menção deste rio causou-me assim, durante a leitura que fazia o Rei, a mais estranha surpresa, a mesma que terá causado a V.Ex. o meu telegrama anunciando-o. O rei com efeito adotou a "linha Schomburgk" [fronteira entre a Guiana e a Venezuela, fixada em 1841 pelo explorador alemão Robert Schomburgk (1804-65)], como em 1843 a reclamara de nós lorde Aberdeen; isto é, adotou como fronteira o que foi por muito tempo a pretensão máxima inglesa.
Estabeleceu-se a Grã-Bretanha no território do Amazonas sem nos dar acesso ao do Essequibo [rio da Guiana], o que só por si bastaria para mostrar a desigualdade da pretendida "divisão equitativa". Com efeito, muito mais que nos deixou a sentença nos oferecera por vezes a Inglaterra e nós recusáramos. Ainda em 1900, mr. Villiers me fez a proposta de que V.Ex. teve conhecimento, deixando-nos, exceto o trecho entre o Mahu, o Curiuáca, o Viruá e o Tacutu [rios da fronteira entre Brasil e Guiana], tudo que obtivemos agora e mais todo o território entre o Tacutu e o Rupununi ao sul do Pirara [região da Guiana, na fronteira com o Brasil].
Não tenho hoje tempo para comentar a sentença que o rei proferiu contra nós, dando razão aos ingleses em tudo o que fizeram desde 1840 para haver as savanas ao oeste de Rupununi; disto, porém, estou dispensado pelo profundo conhecimento que V.Ex. tem desta questão.
Tenho a honra de reiterar a V.Ex. os protestos da minha respeitosa consideração."

Ass. Joaquim Nabuco
Ao Exmº Sr. Barão do Rio Branco, ministro e secretário de Estado das Relações Exteriores

 

Centenário de Lincoln. Discurso pronunciado em Washington, aos 12 de fevereiro de 1909, pelo embaixador do Brasil Joaquim Nabuco, por ocasião do centenário de Lincoln, organizado pelos commissarios do Districto de Columbia. [S. n. t.], 1909. Separata da Revista Americana. Disponível no acervo digital da Fundação Joaquim Nabuco.

Discursos e conferências nos Estados Unidos. Rio de Janeiro: Benjamin Aguila, 1911. Traduzido do inglês por Arthur Bomilcar.

Lessons and prophecies of the Third Pan-American Conference: address delivered by Mr. Joaquim Nabuco, Ambassador from Brazil, before the Liberal The approach of the two Americas: convocation address delivered before the Universtiy of Chicago, August 28, 1908. [S. l.: s. n.], 1908. 10 p. Disponível no acervo digital da Fundação Joaquim Nabuco.

The spirit of nationality in the history of Brazil: address delivered before the Spanish Club of Yale University, on the 15th May, 1908. [S. l.: s. n.], 1908. 14 p. Disponível no acervo digital da Fundação Joaquim Nabuco.

Rivers and ports of Brazil: speech delivered by Senhor Joaquim Nabuco, Brazilian Ambassador at the National Rivers and Harbors Congress held in Washington, D.C., December, 1908. [S. l.: s. n.], 1908. 4 p. Disponível no acervo digital da Fundação Joaquim Nabuco.

Saint-Gaudens: speech delivered by Joaquim Nabuco Brazilian ambassador at the memorial meeting of The American Institute of Architects at the Corcoran Gallery of Art, Washington, December 15, 1908. [Washington. D.C.: s. n.], 1908. [2 p.]. Discurso elogiando o escultor americano. Disponível no acervo digital da Fundação Joaquim Nabuco.

L’accord des deux Ameriques. Paris: Delagrave, 1909. 30 p. Traduzido do inglês por M. Jules Rais. Disponível no acervo digital da Fundação Joaquim Nabuco.

Lincoln’s centenary: speech of the Brazilian Ambassador. Washington: [s.n.], 1909. Disponível no acervo digital da Fundação Joaquim Nabuco.

The restoration of national government in Cuba: speech of the Brazilian Ambassador, Joaquim Nabuco, at the dinner he offered to the Vice-President of the Republic and the members of the Cuban Cabinet, at Havana, on January 31, 1909. [S. l. : s. n.], 1909. 3 p. Disponível no acervo digital da Fundação Joaquim Nabuco.

Private correspondence of Mr. Joaquim Nabuco Brazilian Ambassador in Washington then Brazilian Minister in London with Mr. Buckle editor of the London "Times" and the Marquis de Rudini former Premier of Italy and Minister for Foreign Affairs. [S. l.: s. n.], 1905. 15 p. Disponível no acervo digital da Fundação Joaquim Nabuco.


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